quinta-feira, 26 de junho de 2008

Resgatar o Espírito Canarinho

Gostaria de parabenizar Humberto Luiz Peron por sua coluna (materia aqui) sobre a seleção Brasileira. Realmente conseguiu traduzir tudo o que penso sobre o atual momento do futebol mundial, que se reflete em nossa seleção. Jogadores mercenários, que se preocupam demasiadamente com a questão financeira e esquecem muitos valores importantes dentro do futebol, como espírito de grupo, o sentimento que o futebol gera nos torcedores...
Concordo que a carreira de um jogador de futebol é curta, e que precisam fazer um "pé de meia" para sua aposentadoria, porém, de uma forma geral, a mística que envolve o futebol foi relegada a um segundo plano.
Não existem mais jogadores que se identificam com o clube (salvo raras exceções, que em sua maioria são goleiros como Marcos e Rogério Ceni). Hoje trocam de clube como trocam de roupa, vão de um time rival para o outro sem problemas. Não sei se minha visão sobre futebol é ultrapassada ou se existem mais pessoas com esse pensamento, mas acredito que o futebol atual atingiu um estado irreal, onde jogadores recebem salários astronômicos, clubes gastam montantes equivalentes ao PIB de países pobres com contratações de astros, como é o caso de Cristiano Ronaldo, que dizem estar indo para o Real Madrid pela modesta quantia de 250 milhões de reais. Isso é irreal, uma bolha inflacionária que cedo ou tarde estourará.
Tá, mas agora você se pergunta : O que tudo isso tem a ver com o resgate do Espírito Canarinho? Eu respondo com uma palavra... TUDO. Nossos jogadores vivem nesse mundo de faz de conta que o futebol criou, onde não existem dificuldades, onde o dinheiro entra fácil (trazendo consigo prós e muitos contras), e muitas vezes se perdem nesse caminho. Posso citar vários que se perderam nesse caminho, Ronaldo, Adriano, Jardel, Ronaldinho Gaúcho...
Falta resgatar aquele comprometimento que existia com a seleção, de colocar a seleção como prioridade e objetivo em sua carreira, não como uma vitrine.
Como bem escreveu o Humberto, essas partidas da seleção contra seleções de pouca expressão, como Honduras, desmistificam muito nossa seleção. Para mim, parece que nos tornamos um Harlem Globetrotters do futebol, um time de exibição, que pagando bem vai para qualquer lugar, o que é inadmissível. Li na imprensa essa semana escândalos envolvendo Ricardo Teixeira (materia aqui) com fraudes, lavagem de dinheiro e pagamento de contas pessoais com dinheiro da CBF. É para esse fim que nossa seleção serve? Para encher o bolso deste cidadão, enquanto o brasileiro perde sua identidade com "esquadrão de ouro"? Quero acreditar que não.

2 comentários:

Lucas Tortelli disse...

Excelente coluna...O pior é que com o futebol cara vez mais sendo reflexo do capitalismo, não teremos mais o velho e bom futebol jogado como antes... A não ser que tenham leis de teto máximo de salários aos jogadores...E isso...É impossível...
Infelizmente.

Lucas disse...

Te digo o seguinte sucra, se pararmos para analisar o futebol desta forma, então é melhor paramos de assistir o futebol.
Não são só os jogadores que estão nesse ambiente, são escandalos de jogos comprados, dirigentes comprados (vide guerreiro no caso do ronaldinho do grêmio).
Quem que perde? O torcedor que entra com a paixão, com a vontade, mas que de fato não existe a muito tempo, a paixão pelo clube, pela seleção.
Eu sou favorável atualmente a renegar todos os jogadores que por um motivo ou outro desrespeitaram a seleção, e nesse caso no brasil não contariamos mais com: Kaká, Ronaldinho(s), Robinho, Diego....
Os times e seleções não devem ser reféns dos craques e sim o contrário, e para isso ser verdade, basta que parem de badalar esses merdas!